Fonte; http://www.amaissantinha.com.br/
Não foi surpresa nenhuma quando a Dani terminou o ano como a primeira da classe. A garota, estudiosa, nunca ousava sentar em qualquer cadeira além da primeira fila, chegando a ocupar a própria mesa dos professores quando não havia mais lugares disponíveis na frente da sala.
Os professores adoravam a Dani. Sua dedicação dava gosto. No entanto, todo esse amor pelos livros a deixava distante do tradicional universo mulherzinha de suas colegas: maquiagem, tardes de compras no shopping, trocas de confidências apimentadas. Ela se mantinha alheia a tudo isso.
A única paixão de Dani, além de estudar, era o vôlei, onde descarragava toda a sua energia, digamos, acumulada. Suas cortadas eram temidas em toda a escola. O técnico dizia ser fruto do treino diário. As colegas cochichavam entre si: É a falta de "outros treinos" diários.
Até o fim do último ano não teve um único namorado. Na verdade, nenhum garoto que a tivesse beijado. Mas ela não se incomodava, fazia de tudo para passar despercebida pelos meninos. O que foi facilmente alcançado durante o período escolar. A maioria, pois nos últimos meses uma transformação impressionante aconteceu com a patinha feia da turma.
Os trejeitos desengonçados, por conta da altura, se tornaram um charme diante do súbito desabrochar de curvas e formas. A "tábua de passar roupa" - apelido malicioso vindo da turma do fundão - deu lugar a uma voluptuosa mulher, ainda que uma menina completa. As partidas de vôlei, que quando muito tinham 2 ou 3 desocupados nas arquibancadas, passaram a ter torcida organizada.
Todos os homens, que nem conheciam as regras, só sabiam mesmo da ex-cdf que havia se transformado na mais cobiçada da escola.
Atraiu inclusive os olhares de Carlos, famoso em todo o colégio por sua fama de conquistador. O garanhão não teve grandes dificuldades em se portar como o bonzinho sentimental, personagem necessário para conquistar a garota, que parecia ignorar os músculos tão desejados por suas colegas mais atiradas.
Logo começaram a namorar e se tornaram a atração do momento. O casal 20, com futuro brilhante, desses que andam por aí com mini-vans, filhos saudáveis e casa no campo para passar os finais de semana. Pelo menos era isso que a Dani imaginava para si, sem qualquer sombra de dúvida sobre seu namorado, cuja lealdade jamais desconfiaria.
Naa festa Organizada...
para comemorar o belo desempenho escolar da Dani, seus pais anunciaram que lhe dariam um presente. Poderia escolher o que quisesse, absolutamente qualquer coisa. Afinal, ela merecia. Pensou, pensou, e, por fim, fez um pedido que começou como esperado e se encerrou deixando todos surpresos.
- Quero um carro. - os pais aceitaram, sorrindo, como que aprovando o presente escolhido - E quero permissão para viajar com meu namorado sozinha e passar as férias na casa da Tia Beatriz – disparou, em tom ligeiramente fora do usual.
Dani ficou olhando a cena, chocada. Os dois tomaram um susto e ficaram igualmente sem reação. Os três no quarto se olhando. Até que ele dispara:
- Você sempre foi tão santinha! Como diabos eu ia me satisfazer com uma garota que ainda dorme usando camisolinha de bichinhos?
Dani, ainda sem saber se chorava ou simplesmente desmaiava - estava ficando sem ar de tanto segurar a respiração - foi embora sem dar um pio. Despejando lágrimas diante do sonho despedaçado.
Passou uma semana enfurnada no quarto, entre travesseiros, chocolates e DVDs. Saiu de lá pisando duro e anunciou:
- Estou indo, volto daqui 2 semanas!
Pegou sua mala de roupas, a chave do carro 0km, um mapa que havia baixado da web e foi.
Os pais se entreolharam. Seria a primeira viagem sozinha da filha com o namorado. Mas a parte final do pedido os convenceu. Beatriz morava no interior e era a tia do coração, sempre tratou Dani como uma filha durante a infância, quando passava os dias em sua casa brincando com a priminha Lu.
Dani foi correndo até a casa do namorado contar a boa nova. Estava empolgada só de pensar no quão fantástica seria a viagem. Sempre havia se preservado e acreditava estar pronta para finalmente dar um passo adiante na sua relação. E outra: finalmente ia poder esfregar no nariz daquelas malas sem alça de sua escola que não era mais a única "pura".
Atravessou o jardim e entrou pela porta da frente da casa, que estava destrancada. Achou estranho, foi logo chamando pra ver se havia alguém em casa. Ninguém, mas escutou alguns ruídos no andar de cima. Subiu a escada lentamente, à medida que escutava, os ruídos se misturavam com vozes.
Caminhou pelo corredor, em direção ao quarto do seu namorado, distinguindo claramente vozes femininas e masculinas. A porta estava entreaberta, foi entrando pé ante pé e perdeu a voz. Deu de cara com seu maior pesadelo. O namorado na cama com outra, aos beijos embaixo dos lençóis.
Passou uma semana enfurnada no quarto, entre travesseiros, chocolates e DVDs. Saiu de lá pisando duro e anunciou:
- Estou indo, volto daqui 2 semanas!
Pegou sua mala de roupas, a chave do carro 0km, um mapa que havia baixado da web e foi.




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