A fazenda de Tia Beatriz era uma das melhores lembranças de sua infância. Fazia anos que não a via. Seria o lugar perfeito pra arejar sua cabeça e esquecer daquele traste do ex-namorado.
- Minha filha, que bom que chegou, tem um bolo delicioso te esperando! - exclamou a Tia Beatriz, ao ver Dani descendo do carro.
- Tia, que saudade! Já nem lembrava mais como é linda a sua fazenda. Vou querer bolo, vou querer ir na cachoeira, passear a cavalo, tudo... Não quero nem saber de cidade mais por um bom tempo!
Sentaram na cozinha e conversaram por muito tempo, trocando novidades e relembrando histórias do passado. Dani sorria, feliz, ao escutar as palavras doces da sua tia. Estar perto da Tia Beatriz bastava para a Dani se sentir bem.
- E a Lu e o Carlinhos, cadê eles?
- Dando uma volta. Nesse sol, não duvido nada que estejam na cachoeira. Vá lá, minha menina, na volta vai ter um belo almoço esperando vocês!
- Chaveirinho, você cresceu! - Dani exclamou do alto da pedra, rindo.
- Daniiiiiii! - Lu respondeu de volta, feliz ao rever sua prima. Tinham somente 12 anos na última vez em que passaram as férias juntas. Lu era a baixinha, mas de longe já dava pra ver que seu apelido não seria mais chaveirinho.
- Me espera que já vou pular, e de ponta!
Dani logo foi tirando a blusa, a calça, as meias, quando escutou uma voz grossa, inesperada.
- Prima!?
Era Carlinhos, irmão mais novo de Lu, que estava mergulhado e veio à tona como um torpedo. Ele também havia crescido. Certamente não parecia mais com o meninote atrevido que atucanava as duas sem descanso.
Dani mal se cobriu com o pouco de roupa que tinha em mãos, deixando à vista mais do que deveria. O pior foi que ela também estava vendo mais do que deveria. Carlinhos estava nadando sem roupa e a água transparente não escondia absolutamente nada.
Com o susto, tapou os olhos deixando cair as roupas no chão e não sabia mais o que proteger ou segurar. Virou de costas, vermelha de vergonha como um tomate.
- hahahahahhahahahahah, deixa de ser boba, prima, o Carlinhos é menino ainda, esse aí não morde nem formiga! - Lu gargalhava diante da confusão.
- Mas que abuso, eu estou descomposta, Lu, manda o Carlinhos fechar os olhos agora e nadar pro outro lado do lago!
Carlinhos fez que tampou os olhos, deixando uma fresta para observar aquela que foi objeto de longos sonhos nos últimos anos...
Dani logo pulou na água e foi dar uma dura em sua prima, por não a ter prevenido. A dura logo virou uma briga na água, com as duas se molhando e se divertindo como nos velhos tempos.
Ao final das duas semanas, o ex-namorado era apenas uma lembrança distante. Dani e Lu se divertiram como nunca, comendo fruta no pé, nadando na cachoeira e passeando tardes inteiras a cavalo. Era o paraíso.
Tia Beatriz tinha gosto ao ver a forte amizade de suas pequenas, tanto que ao final da curta temporada, deu uma sugestão inesperada:
- Lu, minha filha. Você tem passado tanto tempo comigo e seu irmão aqui na fazenda. O que acha de passar uns dias na cidade com sua prima?
- Sério?? - as duas indagaram em conjunto
- É sério sim.
Claro, com a autorização dos pais dela.
A viagem de volta...
foi com uma inusitada trilha sonora rock'n'roll & sertanejo. Dani colocava uma e Lu a próxima. Com o som no máximo, chamavam atenção por onde passavam. Na verdade mesmo, não era bem o som o motivo da atenção. Apesar delas nem imaginarem isso.
Dani não estava mais usando seus uniformes escolares. Os moletons e blusas compridas ficaram em casa. As calças jeans, tênis da moda e camisetinhas brancas coladas a deixavam uma menina que não tinha noção do desejo que instigava nos homens.
Lu, por sua vez, tinha desabrochado. Deixou a maioria de suas roupas na fazenda e estava usando as de sua prima. As duas entravam nas lojas de conveniência dos postos de gasolina sempre de mãos dadas, como melhores amigas. Não havia homem casado, comprometido, solteiro ou viúvo que não quebrasse o pescoço para admirar.
No meio de uma dessas paradas, decidiram ir até o restaurante de um certo posto na beira da estrada.
Iam caminhando calmamente, rindo, se divertindo, falando bobagens. Foi aí que sentiram um aroma diferente no ar e se entreolharam confusas. Aquele cheiro não lembrava em nada um restaurante ou qualquer tipo de comida, mas ainda assim era delicioso.
- Sentiu isso, prima? - Dani questionou, sem notar que estava salivando.
- Senti... - Lu mordia os lábios enquanto tentava reconhecer o que era ou de onde vinha aquele cheiro.
As duas estavam bem em frente à entrada do restaurante, que tinha uma daquelas portinhas estilo velho-oeste, e bem nessa hora caíram de bunda no chão. Um homem irrompeu porta afora como se elas fossem duas crianças cuja presença não tinha notado e saiu pisando firme.
Sem acreditar direito na cena, logo se puseram de pé pra dar um belo torra naquele estranho abusado. Ele tinha desaparecido!
- Não é possível! - disse Dani, a mais indignada, limpando seu jeans.
- Olha ele ali saindo de carro! Vamos lá pegar ele! - Lu apontou.
As duas correram mas o carro foi mais rápido. Saiu cantando pneu. Bravas, mal notaram que o motorista misterioso havia deixado cair algo no chão, sua carteira. Lu pegou, escrafunchou tudo, mas nada de documentos, somente dois objetos. Um cartão com um endereço e outro cartão com um símbolo estranho e um número.
Mostrou pra Dani, que disse:
- Prima, vamos encontrar esse desnaturado, pode ter certeza que isso não vai ficar barato!...




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