No dia seguinte, pegaram o carro e foram direto ao endereço do cartão. À medida que se aproximavam, a boca das garotas foi se abrindo. Estavam numa rua de um quarteirão ocupado inteiramente por uma única casa. O desafio era achar a porta de entrada diante daquela mansão. Os muros gigantescos, cobertos por cerca viva, impediam ver qualquer pedaço da propriedade.
E o aroma vindo daquelas plantas era intenso, lascivo, era exatamente o que sentiram ao cruzar com aquele bruto no posto de gasolina. Mas agora todo o quarteirão tinha o mesmo perfume. Danie e Lu tiraram suas blusas. Já não sentiam mais frio. Para a alegria de dois rapazes que passavam por perto, fazendo cooper.
Após rodar todo o bloco, finalmente deram de cara com um enorme portão de ferro maciço e um estranho sensor ao lado.
- Será que essa coisa estranha é um interfone?- indagou Dani
- Não sei... parece aqueles caixas de banco, aperta o botão, vai - respondei Lu.
Apertaram o botão. Foi em vão. Nenhum som, nenhuma resposta. Quando estavam prestes a ir embora e deixar tudo aquilo de lado, escutaram:
- Estamos fechados para os preparativos. Retornem à meia-noite, pontualmente.
Antes mesmo que conseguissem responder algo, a voz havia silenciado. Insistir foi inútil. Desistiram e voltaram pra casa, em silêncio, intrigadas com toda aquela situação.O que era aquela casa, aquele cartão, aquele homem misterioso? Seja como for, teriam todas essas respostas à meia-noite.
Após o banho, Dani e Lu escolheram suas roupas em 2 minutos.
Nenhuma das duas sequer hesitou em ir até a mansão novamente.
Chegaram na mansão...
pontualmente à meia-noite. Dani e Lu não queriam perder essaa chance por nada. O portão abriu assim que o carro delas se aproximou. A entrada se estendia por cerca de 1km, passando por um imenso jardim em um caminho iluminado por tochas, encerrando de frente para manobristas, rápidos em estacionarem o carro das recém-chegadas.
- Cartão, por favor. - um deles pediu. Dani entregou o tal cartão que tinham achado. (com símbolo AXE)
Lu segurava a cara de espanto, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Uma espécie de mordomo se aproximou e abriu a pesada porta de madeira sólida, a principal da mansão, e agora podiam ver em toda a sua glória, era gigantesca!
O hall de entrada estava decorado como que em um filme, luzes das mais variadas cores, um leve som ambiente percorrendo o ar, suficientemente alto para envolver os convidados no clima de suspense, mas sem incomodar eventuais diálogos.
A primeira pessoa que viram foi uma mulher alta e esguia, jovem como elas, e com um indefectível ar de arrogância. A mulher se aproximou sem qualquer cerimônia, observando as duas de cima a baixo, enquanto girava Lu e Dani pela cintura em busca de eventuais imperfeições ou algo do tipo.
- Vocês não estão vestidas adequadamente. Me sigam. - disparou, enquanto se virava e abria a porta de uma pequena sala lateral, que mais parecia um gigantesco camarim.
A mulher entrou no meio das peças e voltou com dois vestidos em mãos. Nenhum parecia custar menos do que uma pequena fortuna.
- Vistam. - ordenou, seca.
- Poderia nos dar licença? - pediu Lu, com medo de receber uma mordida como resposta.
- Meu bem, o que você tem não é mais novidade pra mim. Não façam cerimônia, vocês estão sendo aguardadas.
- Me chamo Rémy, vou transformar vocês em divas, ok, então não falem muito. Sentem-se ali... - falou, apontando duas cadeiras em frente a um enorme espelho.
Dani ameaçou abrir a boca para falar algo, mas o cabelereiro com sotaque francês rapidamente a conduziu pela mão com uma suave autoridade, como se estivesse calando suas dúvidas. Era estranho, ele definitivamente não era gay, as olhava com firmeza, e exalava um perfume levemente semelhante àquele do homem que procuravam encontrar.
Saíram do camarim como duas deusas.
- Dani, o que está acontecendo? - Lu ainda olhava em volta
- Não sei, Lu, mas vamos até o final agora. Segure firme em minha mão e não vamos nos separar por nada.
Malabares com tochas soltavam chamas a todo momento. Telões projetavam cenais surreias, que mais pareciam ter saído de Sodoma e Gomorra. E o principal, aquele perfume, exatamente aquele perfume, estava presente em todo o salão. Mais do que isso, parecia caminhar como uma névoa, ora mais intenso, ora mais fraco, se misturando a outros aromas igualmente provocantes.
Antes mesmo que pudessem ter qualquer explicação sobre o que era tudo aquilo, foram puxadas pelas mãos para a pista de dança por dois dos convidados da festa.
- Lu, não esquece, viemos aqui pra encontrar aquele sujeito, assim que descobrir algo, me procura!
- Tá, certo, primaaa...
Se sentiam incrivelmente confortáveis com seus respectivos parceiros. Eles não davam uma palavra, mas dançavam como se as conhecessem há séculos, conduzindo as duas pelo salão. E como eram cheirosos! Dani não conseguia resistir, enquanto dançava se aproximou do pescoço daquele misterioso mascarado para sentir melhor a fragrância.
Respirou fundo, à medida que um intenso calafrio percorria cada parte de seu corpo, dos pés à cabeça. Uma garrafa de champagne não teria tido o mesmo efeito. Respirava cada vez mais fundo, cada vez mais entregue ao efeito daquele perfume.
Mal sentiu a mão firme em sua nuca e o beijo que se seguiu foi natural, como se não houvesse nada mais a fazer. Uma cena de cinema não teria um beijo tão longo, quando finalmente se soltou, fitou bem fundo nos olhos de seu par.
- Não é você. Seu perfume é uma delícia, mas não é o que estou procurando.
O aroma do sujeito que elas buscavam tinha uma nota inconfundível. E definitivamente não era aquele ali.
Virou-se e olhou em volta. A colegial inocente se transformou na luxúria em pessoa. Andou pelo salão sentindo os aromas, ignorando alguns que chegavam a puxá-la pelos braços.
Escolheu um. Se aproximou sem falar, não precisava gastar tempo com amenidades. Dessa vez a iniciativa do beijo partiu dela.
Logo após o beijo sentiu o perfume no pescoço. Não... ainda não era esse.
Seguiu em frente sem cerimônia. A mistura da música com as luzes e aquele aroma que caminhava pelo salão parecia colocá-la em transe, só queria mais.
Enquanto beijava o terceiro alvo de sua busca pelo homem misterioso viu Lu do outro lado da festa, beijando o DJ. Adotaram a mesma tática.
A festa seguiu noite adentro, Lu e Dani eram as donas da mansão. Pelo menos agiam como se fossem. Sentiam o aroma procurado a todo momento, mas era como se estivessem sempre um passo atrás. Chegararam a ver de relance o homem que tanto buscavam. Pelo menos a Lu jurava ter visto. Enquanto isso, descartavam todos os outros, como se fossem feitos de papel.
Acordaram no enorme sofá que adornava o salão. Não havia mais ninguém, não havia mais decoração, som, máscaras jogadas ou rastro dos aromas da noite anterior.
homem misterioso viu Lu do outro lado da festa, beijando o DJ. Adotaram a mesma tática.
A festa seguiu noite adentro, Lu e Dani eram as donas da mansão. Pelo menos agiam como se fossem. Sentiam o aroma procurado a todo momento, mas era como se estivessem sempre um passo atrás. Chegararam a ver de relance o homem que tanto buscavam. Pelo menos a Lu jurava ter visto. Enquanto isso, descartavam todos os outros, como se fossem feitos de papel.
Acordaram no enorme sofá que adornava o salão. Não havia mais ninguém, não havia mais decoração, som, máscaras jogadas ou rastro dos aromas da noite anterior.
- Alguma sorte, Dani?
- Tsc tsc tsc. Aliás, nem preciso mais saber quem é ele. Quero só minha cama. Vamos pra casa, vai.
O mordomo apareceu e as conduziu de volta ao carro. Ao saírem, Lu ainda teve a impressão de reconhecer o anel nos dedos daquele mordomo - que tinha um perfume delicioso, por sinal - , podia jurar que já o tinha sentido ele em outro lugar...




Nenhum comentário:
Postar um comentário